
"(...). Novas Fronteiras: um movimento, uma nova ambição para Portugal
O PS, já o disse, aspira a substituir este Governo quando chegar o momento. Mas aspira, sobretudo, a preencher o vazio que está instalado no Pais. Um vazio de falta de rumo. De falta de estratégia. E de falta de ambição.
O Pais espera muito de nós. Gostava de vos convencer que a nossa responsabilidade é muito grande. E que para estarmos à altura dessa responsabilidade, todos temos que dar o nosso melhor. O PS tem de estar agora à altura do melhor de si mesmo e do melhor da sua história. Como quando lutámos pela democracia, em 75. Ou quando lançámos o projecto europeu. Ou quando conseguimos entrar para a moeda única.
Nenhuma sociedade avança quando não alimenta um sonho. Quase parece que sempre vivemos em democracia, que sempre pertencemos à União Europeia, que sempre usámos o Euro. Mas nem sempre foi assim. Chegámos aqui porque alguém não se conformou com as velhas fronteiras e olhou mais além.
O desafio que está colocado a Portugal é um desafio muito exigente. A economia global e o alargamento da União Europeia põem duramente à prova a nossa competitividade. Nada garante que retomemos o caminho de uma convergência sustentada com a Europa, se não lutarmos por ela. Quando tudo muda, quem continua parado não conserva a sua posição: vai ficando para trás. E Portugal corre um sério risco de ficar para trás. O que não muda, arrisca-se sempre à decadência.
A solução para os problemas do País não é simples. Não há uma receita milagrosa. Uma bala de prata capaz de resolver tudo. E para ilusão, já nos bastou o choque fiscal. Não queremos trocar uma ilusão por outra. Temos que trocar essa ilusão por uma estratégia. O segredo para resolvermos os nossos problemas não é continuarmos a produzir o mesmo, de forma um pouco mais eficiente. Não é manter os mesmos hábitos, com um pouco mais de disciplina. Nem é manter as políticas, com um pouco mais de consistência. Precisamos de novas metas e de um plano coerente para as atingir.
O nosso dever é mobilizar as energias do País, construir uma estratégia de desenvolvimento e devolver a esperança aos portugueses. O que proponho é que o PS lance uma dinâmica de abertura à sociedade portuguesa e que lidere um movimento para a construção de uma alternativa política em Portugal. É tempo de Portugal voltar a olhar mais longe.
É tempo de Portugal rasgar novos horizontes. Ambicionar Novas Fronteiras.
Eu respeito os que preferem gerir o quotidiano. Mas a alternativa que proponho é bem diferente. É olhar muito mais longe. Portugal não pode ficar a contemplar o seu passado. Nem pode adiar por mais tempo as transformações necessárias. Temos de ultrapassar as Fronteiras que limitam o nosso crescimento. As Fronteiras que radicam na má qualificação dos recursos humanos, na má tecnologia, na má administração e na má economia.É tempo de construir em Portugal um projecto que tire a sociedade portuguesa do estado de adormecimento em que se encontra. Um projecto que não se conforme com esta fatalidade do escasso crescimento e das desigualdades sociais.
Ambicionar Novas Fronteiras é procurar o caminho para um modelo de desenvolvimento que rompa com o caduco sistema dos salários baixos e da economia intensiva, para apostar no que conta na economia global: o conhecimento. Conhecimento, ciência, inovação, tecnologia. Do que Portugal precisa é de um projecto modernizador, com a ambição de um salto qualitativo para a economia portuguesa, com a ambição de uma nova fronteira.
Recordo as palavras de John Kennedy no seu discurso de aceitação da nomeação pelo partido democrata às eleições presidenciais norte-americanas: “A nova fronteira a que me refiro não é um conjunto de promessas, é um conjunto de desafios. Seria muito mais fácil permanecermos aquém dessa fronteira e olharmos para a confortável mediocridade do passado. Mas eu acredito que o tempo que vivemos exige criação, inovação, decisão”. Pois é nisso mesmo que eu também acredito. Portugal precisa hoje de criação, de inovação e de decisão. Portugal precisa de definir Novas Fronteiras.
7. Convocar os portugueses
O PS precisa agora de todos e do melhor que o País tem.
Proponho-me recolocar o PS no centro da mudança. Impulsionar um movimento que suscite uma viragem política de fundo em Portugal. Trata-se de relançar o espírito dos Estados Gerais, com outro nome, mas também com outro modelo. Quero construir um espaço de participação política e cívica. Esse espaço chamar-se-á Novas Fronteiras. E o movimento em busca dessas Novas Fronteiras para o nosso futuro vai ser lançado já no início do próximo ano. O Fórum Novas Fronteiras tem data marcada. Arranca no dia 29 de Janeiro.
Faço aqui um apelo. Quero convocar todos os portugueses que estão disponíveis para ajudar a construir este projecto para o futuro de Portugal. Que estão disponíveis para ajudar o PS a afirmar uma alternativa e a promover uma viragem política no nosso País. Que estão disponíveis para participar neste movimento em busca de Novas Fronteiras(...)".
in Discurso de Encerramento do Congresso do PS