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Viagem aos castelos de Espanha com José Varandas - Novas Fronteiras Viagens
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Castelos de Espanha

Entre a cruz e o crescente – uma viagem ao passado
Viagens com especialistas / Castelos de Espanha

Castelos de Espanha

desde 1565€

por pessoa
01 Set - 06 Set 2026
5 dias
Mín. 15 Pessoas

 

Viagem a Espanha

 

Os castelos medievais de Espanha integraram-se, e dependeram, de um processo longo geopolítico e militar conhecido como a Reconquista. Neste modelo próprio peninsular, onde Portugal também se inclui, estas fortalezas com múltiplas faces apresentam-se como longínquas sentinelas de pedra atentas a uma fronteira que há mais de oito séculos atrás era, sobretudo, fluida e inconstante. Esta relação entre os castelos medievais espanhóis e a Reconquista é um dos capítulos mais fascinantes da história militar e arquitetónica da Europa e transformou a paisagem espanhola numa das regiões com maior densidade de fortificações do mundo.

Na espantosa viagem que nos aguarda começamos por nos embrenhar no significado da palavra Reconquista, um processo dinâmico e violento que durou entre 711 e 1492 onde os reinos cristãos ibéricos do norte da Península Ibérica combateram para recuperar o território conquistado pelos muçulmanos (al-Andalus). Este processo não foi uma guerra contínua, mas sim uma sucessão de avanços, recuos, tréguas e alianças complexas. Naquele cenário de instabilidade permanente, o castelo não era apenas um símbolo de poder feudal; era uma arma estratégica vital para a sobrevivência e expansão territorial. Veremos como essas fortalezas moldaram, e foram moldadas por esse longo conflito. Os castelos em Espanha não foram apenas residências reais. Eram, acima de tudo, máquinas de guerra. Dependendo de quem os construiu e quando, podemos dividi-los em três grandes influências:
a) os castelos de influência islâmica (Alcáçovas) construídos durante a presença muçulmana na Península Ibérica;
b) os castelos românicos e góticos (Reinos Cristãos), erigidos à medida que os reinos de Castela, Leão, Aragão, Navarra e Portugal avançavam para sul;
c) os castelos de estilo mudéjar, uma fusão única que só encontramos na Península Ibérica, onde construtores muçulmanos trabalhavam em territórios cristãos reconquistados.

Um dos elementos a observar nesta nossa viagem é o da evolução da arquitetura militar, particularmente no choque entre duas culturas tão diferentes: a muçulmana e a cristã. Nesse contexto os castelos na Espanha medieval refletem o constante intercâmbio e rivalidade entre o mundo cristão e o islâmico. Na Idade Média ibérica, a arquitetura não era uma questão de moda, mas sim a resposta material direta às mudanças de poder, demografia e tecnologia de guerra.

Comecemos pelas fortificações muçulmanas, as do Al-Andaluz. Conhecidas como Alcáçovas (Alcazabas) eram cidadelas fortificadas urbanas que albergavam o governador, as tropas e os serviços administrativos (ex: a Alcáçova de Málaga, a de Almería, ou a de Lisboa). Como técnicas de construção, os mouros introduziram o uso do tapial (taipa/terra batida altamente resistente) e do tijolo. E como elementos defensivos fundamentais as torres albarrãs eram muito populares (torres exteriores ligadas à muralha principal por uma ponte ou arco, permitindo flanquear o inimigo) a que se juntavam portas em cotovelo (entradas em ângulo reto para impedir que os arietes batessem diretamente nas portas).

Do lado cristão as fortificações inicialmente eram simples torres de vigia de madeira ou pedra no norte (Galiza, Astúrias e Pirenéus), mas os castelos cristãos evoluíram à medida que avançavam para o sul. Em muitos deles ainda se destacam as Torres de Menagem, o coração da fortaleza. Era a estrutura mais alta, residência do senhor e o último reduto de defesa. Com o avanço cristão muitos construtores muçulmanos que permaneceram em território conquistado (os moçárabes ou mudéjares) foram contratados para construir castelos para a nobreza cristã, fundindo o tijolo e a decoração geométrica árabe com a robustez dos castelos europeus, como o espetacular Castelo de Coca.

Ver castelos deve sempre ser feito em múltiplas perspetivas. Uma delas é observá-los enquanto peças-chave para uma estratégia (cristã) de colonização e de definição de fronteiras. Na Idade Média espanhola, ou portuguesa, conquistar um território não bastava. Era preciso povoá-lo e defendê-lo. E o castelo desempenhava três funções críticas:
1) definia Linhas de Fronteira Dinâmicas, pois à medida que a fronteira se deslocava para o sul, ao longo dos rios Douro, Tejo e Guadiana, redes de fortalezas foram erguidas para consolidar as posições alcançadas. A própria região de Castela recebeu este nome devido à imensa quantidade de castelos (castillos) construídos para se defenderem das incursões muçulmanas;
2) como Castelos de Repovoamento, posicionados atrás das linhas da frente, serviam de refúgio para os camponeses cristãos que eram atraídos para colonizar as terras perigosas da “terra de ninguém”. Em caso de ataque, a população e o gado recolhiam-se dentro das muralhas;
3) como “Fechaduras” que controlavam as rotas. Quem dominava o castelo controlava as pontes, os vales e as estradas romanas antigas, podendo cobrar portagens e sufocar a economia do inimigo.

A gestão desta fronteira fortificada exigiu guarnições permanentes e guerreiros de elite. Foi aqui que as Ordens Militares ganharam um poder imenso. Ordens como as de Santiago, Calatrava, Alcântara, Templários e Hospitalários receberam vastos territórios (os maestrazgos, mestrados) na Andaluzia, Castela, Aragão e Portugal. Em troca, assumiram a responsabilidade de manter e defender castelos colossais na linha da frente. Castelos como o de Calatrava la Nueva, ou o de Tomar, tornaram-se quartéis-generais monásticos e militares quase inexpugnáveis.

Com a tomada de Granada em 1492 e a unificação dos reinos sob os Reis Católicos (Isabel de Castela e Fernando de Aragão), a Reconquista terminou. A invenção e o aperfeiçoamento da artilharia com pólvora tornaram as altas e verticais fortalezas medievais vulneráveis aos canhões. Muitos castelos espanhóis foram abandonados, outros foram transformados em palácios residenciais pela nobreza e alguns serviram de prisões. No entanto, continuam hoje a erguer-se na paisagem espanhola como testemunhas silenciosas de uma época em que o destino de reinos e religiões se decidia palmo a palmo, atrás de muralhas de pedra. A Península Ibérica acompanhava a transição para a Idade Moderna (Renascimento) destacando-se a denominada “Revolução da Pólvora”. No final do século XV, a introdução da artilharia pirobalística mudou tudo. Os castelos medievais altos e esguios tornaram-se alvos fáceis. Nalguns que visitarmos podemos observar essa transição para fortificações diferentes, onde as torres se tornaram mais baixas, robustas e circulares, as muralhas ganharam uma espessura colossal e surgiram as primeiras troneiras, aberturas específicas para colocar os canhões.

Em síntese, o castelo peninsular evoluiu de uma estrutura comunitária e “estatal” de vigilância, no período islâmico, para um instrumento de colonização territorial, com as Ordens Militares como estrutura dinâmica e, finalmente, para um processo de domínio senhorial / régio e de transição tecnológica, nos finais do século XV.

Espanha é, sem dúvida, um dos centros mundiais dos castelos. Séculos de conflitos entre os reinos cristãos e muçulmanos (a Reconquista), além das disputas feudais e senhoriais internas, tornaram o território espanhol intensamente fortificado como poucos no mundo. Estima-se que existam mais de 10.000 castelos (ou ruínas deles) por todo o país.

 

Fotos:  portais oficiais de Turismo

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Castelos de Espanha

desde 1565€

por pessoa

1º DIA – 2 DE SETEMBRO (4ª Feira) – LISBOA | BADAJOZ | TRUJILLO

A nossa viagem começa em Lisboa, onde se encontra um destes castelos da Reconquista ibérica (que não visitaremos – ficará para outro programa), em autocarro privado, com entrada em Espanha por Badajoz, onde tudo começa. Por aqui subiremos à Alcazaba (Alcáçova) de Badajoz, uma das grandes fortalezas islâmicas da Península Ibérica, situada numa posição dominante sobre o rio Guadiana. Por aqui se falará das fortificações de fronteira, de muralhas urbanas, do controlo do território e da defesa da raia luso-espanhola – tudo temas fundamentais desta nossa viagem. Também em Badajoz nos aguarda o almoço, antes de nos dirigirmos para Trujillo. Com o apoio de um guia local visitaremos o seu centro histórico, medieval, onde se destacam as caraterísticas defensivas representadas nas fortes muralhas, portas bem defendidas, torres, casas nobres e a monumental Plaza Mayor. E por aqui ficaremos alojados no Hotel Izán Trujillo ou similar, e onde o jantar será livre.

2º DIA – 3 DE SETEMBRO (5ª Feira) – TRUJILLO | BELMONTE | TOLEDO

O dia começa com o nosso pequeno-almoço no hotel e a saída em direção a Belmonte, onde almoçaremos. Ali espera-nos o robusto Castelo de Belmonte, uma das fortalezas góticas mais notáveis do centro de Espanha. Construído no século XV por ordem de Juan Pacheco, Marquês de Villena, esta fortaleza combina função defensiva, residência senhorial e afirmação de poder aristocrático. Também entraremos na Colegiata (Colegiada) de São Bartolomeu, a grande igreja monumental de Belmonte, que complementa a leitura histórica da vila. No final da tarde seguiremos em direção à mítica capital do reino visigodo, Toledo, onde passaremos essa noite alojados no Hotel Beatriz Toledo Auditorium & Spa ou similar, e onde o jantar será livre.

3º DIA – 4 DE SETEMBRO (6ª Feira) – TOLEDO | LA LASTRILLA | COCA | VALLADOLID

Pela manhã, depois do pequeno-almoço, a nossa atenção será dedicada à leitura de Toledo como cidade-fortaleza medieval. Aqui se explicará a importância estratégica desta antiga cidade junto ao rio Tejo e a sua estrutura defensiva milenar (portas, muralhas, pontes defensivas, acessos fortificados e enquadramento exterior do Alcázar). E depois sairemos de Toledo em direção à zona de La Lastrilla, onde se almoçará. Dali a direção é para o Castelo de Coca, uma das obras-primas da arquitetura militar gótico-mudéjar em Espanha, onde se prevê chegarmos pelo avanço da tarde. Esta fortaleza, localizada na província de Segóvia (na comunidade de Castela e Leão), é uma das fortificações mais impressionantes e originais da Europa. Se estamos à espera de aqui encontrar a perfeita imagem clássica de um castelo medieval de pedra cinzenta e robusta, estamos enganados, pois este castelo quebra radicalmente essa perspetiva. Com o sol a começar a descer no firmamento o caminho leva-nos para Valladolid. Aqui o alojamento será no Hotel Valladolid Recoletos ou similar, e o jantar será livre.

4º DIA – 5 DE SETEMBRO (Sábado) – VALLADOLID | PEÑAFIEL | MEDINA DEL CAMPO | SALAMANCA

De Valladolid partimos pela manhã para o Castelo de Peñafiel, uma das fortalezas mais icónicas daquela região, conhecida pela sua silhueta alongada sobre a colina, frequentemente associada à imagem de um “navio de Castela”. Por ali se almoçará. O princípio da tarde leva-nos para Medina del Campo, visitar o Castelo da Mota, uma das grandes fortalezas castelhanas do século XV, marcada pelo seu fosso profundo, muralhas, torres, e entre elas, a magnífica Torre de Homenagem (Menagem). Curiosamente, partilha uma ligação muito próxima com o Castelo de Coca: ambos pertencem a um grupo restrito de fortificações castelhanas do século XV construídas principalmente com tijolo em vez de pedra de cantaria tradicional, apresentando também uma forte influência do estilo mudéjar. O nome "Mota" refere-se à elevação artificial ou colina onde a fortaleza foi erguida para garantir uma vantagem estratégica e defensiva sobre a planície circundante. Sempre foi considerado como uma fortaleza inexpugnável, e embora tenha origens que remontam ao século XII, a grande estrutura que ali veremos foi expandida e consolidada no século XV, no reinado dos Reis Católicos (Isabel I de Castela e Fernando II de Aragão). Com as suas paredes grossas refletindo o sol poente ficará a ver-nos seguir o caminho de Salamanca, onde ficaremos alojados no Hotel Alameda Palace ou similar. O jantar será livre.

5º DIA – 6 DE SETEMBRO (Domingo) – SALAMANCA | CIUDAD DE RODRIGO | LISBOA

No quinto dia da nossa viagem, e depois da rotina do último pequeno-almoço, seguiremos para a fronteira com Portugal, mas não sem antes pararmos em Ciudad Rodrigo. É importante vermos nesta cidade fortificada de fronteira com grande importância histórica e patrimonial, o seu centro histórico e a Catedral de Santa Maria, uma joia arquitetónica que começou a ser construída no século XII, sob o reinado de Fernando II de Leão, que reflete uma transição fascinante entre os estilos românico e gótico, tendo ainda recebido acrescentos importantes na época do Renascimento. Parece-nos uma simpática conclusão para a nossa viagem, pela sua ligação à história da fronteira e pela presença do Parador de Ciudad Rodrigo, instalado num antigo castelo medieval. Com o último almoço espanhol partimos para o nosso país, também com mil castelos, em direção a Lisboa.
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José Varandas

Historiador

José Varandas é Doutor em História Medieval e professor associado do Departamento de História da Universidade de Lisboa. Diretor do Mestrado Interuniversitário de História Militar, desde 2013 e investigador do Centro de História da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

É académico correspondente da Academia Portuguesa da História e Membro Efetivo da Classe de História Marítima da Academia de Marinha, Membro Correspondente da Comissão Portuguesa de História Militar, bem como sócio da Sociedade Portuguesa de Estudos Medievais e Secretário-Geral da Associação Ibérica de História Militar.

Foi condecorado com a Medalha Militar da Cruz Naval de 1ª Classe, concedida em 30/06/2021 e imposta em 05/01/2023, e também condecorado pelo Exército Português, com a Medalha de D. Afonso Henriques – Mérito do Exército, 1ª Classe, em 02/04/2025. No seu currículo, entre os vários trabalhos desenvolvidos, destacam-se a tese de doutoramento “Bonus Rex ou Rex Inutilis: as Periferias e o Centro - Redes de Poder no Reinado de D. Sancho II (1223-1248)”, e os livros “D. Afonso Henriques e o Exército”, “D. Sancho II e o Exército” e “D. João I e o Exército”, entre muitas outras publicações.

É docente na Universidade de Lisboa desde 1990 onde tem ensinado História e Cultura Clássica (Roma Antiga), História Medieval de Portugal, História da Cultura Medieval, História Rural Medieval, História Militar da Antiguidade, História da Tecnologia Militar da Antiguidade, História Militar Medieval, História Marítima Antiga e Medieval, História das Ideias Políticas: Idade Média e Arte Românica e Gótica. São áreas de interesse / pesquisa científica: História Medieval, História Militar, História Rural, História Naval, História do Municipalismo, História das Instituições. É responsável pelos seminários de mestrado: História do Municipalismo; Sociedades guerreiras de “Reconquista”; Armas e Sociedades: Mundo Clássico, História Marítima (Antiga e Medieval), História da Tecnologia Militar, História Militar: teoria, métodos e fontes e Estudos de Arte Medieval (em co-tutoria).

 

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Castelos de Espanha

desde 1565€

por pessoa

Localização

38.88405488087178, -6.968269901273102

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Castelos de Espanha

desde 1565€

por pessoa

  • Preços por pessoa
    Mínimo de 15 participantes
  • Quarto Duplo
    1565€
  • Suplemento quarto individual
    250€

 

O preço inclui

  • Acompanhamento pelo Professor José Varandas durante toda a viagem;
  • Acompanhamento por um responsável da Novas Fronteiras durante toda a viagem;
  • Autocarro privado durante todo o percurso;
  • 4 noites de alojamento em hotéis de 4*, com pequeno-almoço incluído;
  • Refeições conforme mencionado no programa (5 almoços);
  • Guias locais de expressão portuguesa ou espanhola;
  • Todas as visitas e entradas mencionadas no programa;
  • Rádio-guias;
  • Taxas de municipais;
  • Todos os impostos e taxas aplicáveis;
  • Seguro Multiviagens.

O preço não inclui

  • Bebidas às refeições;
  • Gratificações;
  • Tudo o que não esteja como incluído de forma expressa;
  • Despesas de caráter particular designados como extras.

 


NOTA IMPORTANTE
A presente cotação está sujeita a reconfirmação mediante as disponibilidades de voo e hotéis à data da sua reserva. Os valores acima representados poderão sofrer eventuais alterações em caso de oscilações significativas cambiais e/ou de custos de combustível e/ou eventuais novas taxas, tendo em conta a atual conjuntura internacional.