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Viagem a França com António Martins Costa - Novas Fronteiras Viagens
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A França da Guerra dos Cem Anos

Viagens com especialistas / A França da Guerra dos Cem Anos

A França da Guerra dos Cem Anos

desde 2450€

por pessoa
20 Fev - 24 Fev 2027
5 dias
Mín. 15 Pessoas

 

Viagem a França
De Reims a Arras, passando por Rouen, Crécy-en-Ponthieu e Saint-Valery-sur-Somme

 

Durante mais de um século, entre 1337 e 1453, França e Inglaterra estiveram envolvidas num conflito que ultrapassou largamente a disputa dinástica pela coroa da flor-de-lis, deixada vaga em 1328 por Carlos IV, que enterrou consigo a dinastia capetíngia. Este longo braço-de-ferro a que os historiadores do século XIX chamaram de «Guerra dos Cem Anos» marcou o fim da Idade Moderna e deu o tom para o início da Modernidade na Europa, da qual resultou uma nova geografia política no Ocidente. Os efeitos desta luta espraiaram-se uma boa parte da Cristandade, com reflexos no Grande Cisma da Igreja (1378-1417) e nas lutas pelos tronos ibéricos de Castela e de Portugal. Mas foi em solo francês que ocorreram as principais ações militares, interrompidas por períodos de tréguas, atravessando ciclos de crises e da emergência de personagens decisivas. Nesta viagem, não procuraremos apenas recordar os acontecimentos: iremos ao encontro dos lugares onde a história aconteceu.

A visita começa em Amiens, coração urbano e episcopal da Picardia. A sua extraordinária catedral gótica, uma das grandes realizações da arquitetura medieval francesa, introduz-nos no mundo das cidades, do clero e dos comerciantes que moldaram a Idade Média Francesa. Nas águas do Somme, entre os canais e as casas de Saint-Leu, reencontraremos a cidade mercantil e as redes de circulação que faziam da Picardia um espaço estratégico entre o reino de França, a Flandres e o Canal da Mancha. Amiens será, assim, o nosso ponto de partida para compreender uma guerra que se fez tanto nos campos de batalha como nas cidades.

A partir daqui, seguiremos os passos de dois dos mais célebres confrontos da Guerra dos Cem Anos. Em Crécy, visitaremos o centro de interpretação da batalha travada em 1346, na qual Eduardo III introduziu em solo continental um modelo tático de sucesso que os ingleses desenvolveram a partir das lutas com os galeses e, depois, com os escoceses. Com uma visita ao campo, conseguiremos perceber como um exército apeado e em inferioridade numérica conseguiu tirar partido do terreno e, numa conjugação de disciplina tática das suas linhas e do tiro dos arqueiros (munidos do «longbow»), conseguiu derrotar a cavalaria pesada, considerada a «rainha» dos campos de batalha.

Mas a Guerra dos Cem Anos não se fez apenas de batalhas. Na deslumbrante Baía do Somme, diante do Canal da Mancha, será possível perceber a dimensão marítima e geográfica do conflito dos finais da Idade Média (e de tantas outras lutas até ao século XX). Os portos, as rotas comerciais e a circulação de homens e ligações com a Inglaterra e a Flandres ajudam-nos a compreender por que razão a Picardia e o litoral do norte de França constituíam um espaço tão disputado.

No segundo dia, iremos ao encontro de Azincourt, palco de uma batalha imortalizada por William Shakespare e que parece repetir a receita tática de Crécy; e que, ao mesmo tempo, anuncia um mundo diferente. Em 1415, Henrique V desembarcou na Normandia e conduziu o seu exército numa campanha que terminaria numa das mais célebres vitórias inglesas. Após uma visita ao centro de interpretação, que nos permitirá conhecer o contexto da batalha através de moderna tecnologia de exposição, iremos passar ao campo do combate, onde poderemos avaliar a influência do clima sobre o piso lamacento; a organização da infantaria inglesa, quer dos homens de armas, quer dos arqueiros; e a desastrosa carga dos cavaleiros franceses, pesadamente armados, muitos dos quais encontraram a sua sepultura naquele dia 25 de outubro. Abria-se então um ciclo de fragilidade do poder real em França, marcado pela demência de Carlos VI e pela rivalidade entre Armagnacs e Borguinhões.

A viagem prossegue até Rouen, uma das grandes cidades da Normandia medieval e um dos centros fundamentais do poder inglês na França ocupada. A sua catedral, as ruas do centro histórico e as casas de madeira aparente transportam-nos para o universo urbano do século XV. É em Rouen que encontramos Joana d’Arc, grande responsável pelo reerguer da França após o desastre de Azincourt. A jovem oriunda da Lorena que chegara à frente dos exércitos de Carlos VII entre os anos de 1429 e 1430 seria capturada pelos borgonheses e vendida aos ingleses. Encontraria o seu fim em 30 de maio de 1431, na Praça do Vieux-Marché, onde foi morta na fogueira, após um polémico julgamento.

Após acompanharmos os últimos passos da jovem Joana d’Arc, entretanto santa da Igreja Católica, iremos chegar a Arras, cidade que nos permite observar a outra face da guerra: a diplomacia. Foi nesta cidade que, em 1435, o duque da Borgonha, Filipe, o Bom, assinou tréguas com Carlos VII, a quem reconheceu como legítimo rei de França; e abandonou, de vez, a aliança britânica, deixando a Inglaterra isolada na Guerra dos Cem Anos, que acabaria por perder em 1453. Nas grandes praças de Arras, entre a Grand-Place, a Place des Héros e o Beffroi, encontramos um burgo comercial e politicamente influente, onde os interesses dos príncipes se cruzavam com os das comunidades urbanas.

Nas Boves, nas galerias subterrâneas abertas sob a cidade, desceremos ainda a uma outra dimensão da história urbana: aquela que normalmente permanece escondida sob os monumentos e as grandes praças. Espaços de armazenamento, circulação e proteção revelam a materialidade de uma cidade que, durante séculos, aprendeu a adaptar-se à guerra, ao comércio e às necessidades da vida quotidiana.

Ao longo de cinco dias, visitaremos os principais palcos do grande conflito que abriu a porta à Idade Moderna. Entre reis das dinastias dos Valois, de França, e Plantagenetas e Lencastre, de Inglaterra, observaremos uma das maiores transformações militares no continente europeu in loco.

Não faltarão protagonistas excecionais, como a jovem da Lorena que conduziu os exércitos de Carlos VII e que, após a execução, foi canonizada pelo papado e se converteu em heroína dos franceses. Pelo meio, teremos o privilégio de contatar com paisagens deslumbrantes e com património medieval religioso e urbano que marcaram dinâmica quotidiana francesa dos finais da Idade Média. Será mais do que um século de guerra, entrecortada por tréguas e crises. A França da Guerra dos Cem Anos espera-nos no próprio lugar onde aconteceu a História da Europa.

 

Ver itinerário

A França da Guerra dos Cem Anos

desde 2450€

por pessoa

1º DIA – 20 DE FEVEREIRO (Sábado) – LISBOA | PARIS | AMIENS

Comparência no aeroporto 2h antes da partida, para embarque em voo TAP, com destino a Paris.  A partida está prevista para as 06h40 e chegada para as 10h10. Após as formalidades de desembarque, partida em direção a Amiens, com almoço durante o trajeto.
Chegada a Amiens e visita pela cidade. O percurso será centrado na cidade medieval, no poder episcopal e no contexto urbano do norte de França. O roteiro desvenda os segredos da monumental Catedral de Notre-Dame, uma das maiores joias do gótico francês, e cruza os canais do rio Somme no pitoresco bairro de Saint-Leu (a «Veneza do Norte»), um cenário mercantil marcado por cercos, tréguas e alianças que mudaram o rumo da história.
Chegada ao hotel Mercure Amiens Cathédrale, ou similar. Jantar livre e alojamento no hotel.

2º DIA – 21 DE FEVEREIRO (Domingo) – AMIENS | CRÉCY-EN-PONTHIEU | SAINT-VALERY-SUR-SOMME | AMIENS

Pequeno-almoço no hotel e partida em direção a Crécy-en-Ponthieu. Visita ao Centro histórico de Crécy la Bataille, um moderno espaço interativo de interpretação que reconstitui as estratégias, o armamento e o impacto humano do primeiro grande combate terrestre da Guerra dos Cem Anos (1337-1453).
Almoço em restaurante local e continuação para visita ao local da batalha de 1346, a batalha de Crécy. Uma vitória estrondosa sobre a França por parte dos ingleses, liderados pelo rei Eduardo III, que trouxe para solo continental um novo modelo tático. A visita será centrada no estudo da paisagem militar: o terreno, a posição dos exércitos, os arqueiros ingleses, a cavalaria francesa e o impacto da derrota.
Partida para Saint-Valery-sur-Somme (Baía do Somme). Tempo livre na baía, com vista panorâmica sobre o litoral.  A visita permite explorar a importância do Canal da Mancha, das rotas marítimas, dos portos, dos movimentos de tropas e da ligação estratégica entre a Inglaterra, a Picardia e a Flandres.
Chegada ao hotel. Jantar livre e alojamento no hotel.

3º DIA – 22 DE FEVEREIRO (2ª Feira) – AMIENS | AZINCOURT | AMIENS

Pequeno-almoço no hotel e partida em direção a Azincourt, para visita ao centro de interpretação dedicado à campanha de Henrique V de Inglaterra na Normandia e que condizia ao combate travado em 25 de outubro de 1415, eternizado mais tarde por William Shakespeare. Esta visita permite conhecer a crise política francesa, a rivalidade entre Armagnacs e Borguinhões, a ofensiva inglesa e a memória de Azincourt.
Continuação para o Campo de batalha de Azincourt. Azincourt (1415) é apresentada como um paralelo com Crécy (1346): a consolidação do êxito de um modelo de combate travado num terreno previamente escolhido, no qual a disciplina das linhas de homens apeados e o poder de fogo do arco põem em causa a carga da cavalaria pesada, considerada a «rainha dos campos de batalha». Com uma derrota humilhante em Azincourt, a França caiu numa profunda crise, marcada por um conflito civil e pela loucura do rei Carlos VI, que quase havia capitulado perante a Inglaterra.
Almoço em restaurante local.
Regresso a Amiens. Chegada ao hotel. Jantar livre. Alojamento.

4º DIA – 23 DE FEVEREIRO (3ª Feira) – AMIENS | ROUEN | AMIENS

Pequeno-almoço no hotel e saída em direção a Rouen.
Visita à catedral de Notre-Dame de Rouen e contextualização desta importante cidade da Normandia da Idade Média e centro da presença inglesa em França. Esta visita permite abordar a importância da região normanda, o papel das cidades ocupadas pelos ingleses e a ligação entre a hierarquia religiosa, os homens da justiça e os governantes.
Continuação para o percurso histórico de Joana d’Arc, com uma visita dedicada ao julgamento, à condenação e à reabilitação de Joana d'Arc, uma jovem da região da Lorena que, entre 1429 e 1430, ocupou a frente dos exércitos franceses, libertando Orleães e boa parte do Loire. O julgamento de Rouen é apresentado como um episódio religioso, judicial e político, destinado a desacreditar Joana e, por consequência, a legitimidade de Carlos VII.
Após o almoço em restaurante local, visita à Place du Vieux-Marché (Praça do Velho Mercado), local associado à execução de Joana d'Arc, em 30 de maio 1431, por morte na fogueira. Visita dedicada à memória do martírio, à propaganda política e à construção simbólica da figura de Joana.
Por fim, visita ao Centro histórico de Rouen, pelas ruas medievais, pelas casas de madeira aparente (colombage) e pelos espaços urbanos ligados à Rouen do século XV.
Regresso a Amiens. Chegada ao hotel. Jantar livre e alojamento.

5º DIA – 24 DE FEVEREIRO (4ª Feira) – AMIENS | ARRAS | PARIS | LISBOA

Pequeno-almoço no hotel e saída em direção a Arras.
Visita às grandes praças históricas de Arras, Grand-Place e Place des Héros, que permitem compreender a importância urbana, económica e comercial do norte de França. A cidade é enquadrada no contexto das relações entre a França e a Borgonha, que ali assinaram as tréguas de 1435, nas quais o duque Filipe, o Bom, reconheceu como legítimo soberano francês o rei Carlos VII – passo decisivo para a vitória francesa na Guerra dos Cem Anos.
Visita à torre sineira municipal, Beffroi de Arras, símbolo da autonomia urbana e do poder das cidades. Este monumento permite abordar o papel político e económico das cidades no contexto da Guerra dos Cem Anos.
Almoço em restaurante local e visita às Les Boves, as galerias subterrâneas históricas de Arras, testemunhas da longa ocupação urbana, do armazenamento, da defesa e da organização material da cidade.
Em hora a combinar localmente, partida em direção ao aeroporto Paris-Orly, para embarque em voo TAP, com destino a Lisboa. Chegada a Lisboa pelas 22h10.

Fim da viagem.
Ver Especialista

António Martins Costa

Historiador

António Martins Costa é historiador e medievalista. É doutor em História Medieval pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde desenvolveu a tese A arte militar portuguesa entre os finais da Idade Média e os alvores da Modernidade (1449-1521), sob a orientação do Professor Doutor João Gouveia Monteiro. É mestre em História Medieval pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, instituição onde também se licenciou em História. Atualmente, exerce funções docentes na Universidade Aberta, onde leciona na área da História da Idade Média.

É investigador integrado do Centro de História da Universidade de Lisboa e investigador colaborador do Centro de História da Sociedade e da Cultura (Universidade de Coimbra). É sócio-fundador da Associação Ibérica de História Militar (séculos IV-XVI), membro da Sociedade Portuguesa de Estudos Medievais e diretor da Associação Portuguesa dos Amigos dos Castelos. Debruçando-se sobre a história militar, a história das relações internacionais e a história política e institucional da Idade Média e do Renascimento, é autor de diversas publicações e comunicações, em Portugal e no estrangeiro. Entre as suas obras, destaca-se 1415 – A conquista de Ceuta (Manuscrito, 2015), em coautoria com João Gouveia Monteiro. Encontra-se a escrever os livros Castelos de Portugal – uma viagem à Idade Média e Combates medievais portugueses.

 

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A França da Guerra dos Cem Anos

desde 2450€

por pessoa

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A França da Guerra dos Cem Anos

desde 2450€

por pessoa

  • Preços por pessoa
    Mínimo de 15 participantes
  • Quarto Duplo
    2450€
  • Suplemento quarto individual
    355€

Nota:
Para partidas do Porto, por favor consulte-nos.

O preço inclui

  • Acompanhamento pelo Historiador António Martins Costa durante toda a viagem;
  • Acompanhamento por um responsável da Novas Fronteiras durante toda a viagem;
  • Passagem aérea em classe económica para os percursos Lisboa / Paris / Lisboa - em voos regulares TAP com direito a 1 peça de bagagem de porão de 23 Kg;
  • 4 noites de alojamento nos hotéis mencionados ou similares, com pequeno-almoço incluído;
  • Refeições conforme mencionado no programa (5 almoços);
  • Todos os transportes conforme indicado no programa;
  • Guia local de expressão portuguesa ou espanhola (mediante disponibilidade);
  • Todas as visitas e entradas mencionadas no programa;
  • Taxas de aeroporto, segurança e combustível no montante de 165,15€ (à data de 30/09/2026) – a reconfirmar e atualizar na altura da emissão da documentação;
  • Todos os impostos e taxas aplicáveis;
  • Rádio-guias;
  • Seguro Multiviagens Premium.

O preço não inclui

  • Bebidas às refeições;
  • Gratificações;
  • Tudo o que não esteja como incluído de forma expressa;
  • Despesas de caráter particular designados como extras.


NOTA IMPORTANTE
A presente cotação está sujeita a reconfirmação mediante as disponibilidades de voo e hotéis à data da sua reserva. Os valores acima representados poderão sofrer eventuais alterações em caso de oscilações significativas cambiais e/ou de custos de combustível e/ou eventuais novas taxas, tendo em conta a atual conjuntura internacional.