Castelos de Espanha
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Viagem a Espanha
Os castelos medievais de Espanha integraram-se, e dependeram, de um processo longo geopolítico e militar conhecido como a Reconquista. Neste modelo próprio peninsular, onde Portugal também se inclui, estas fortalezas com múltiplas faces apresentam-se como longínquas sentinelas de pedra atentas a uma fronteira que há mais de oito séculos atrás era, sobretudo, fluida e inconstante. Esta relação entre os castelos medievais espanhóis e a Reconquista é um dos capítulos mais fascinantes da história militar e arquitetónica da Europa e transformou a paisagem espanhola numa das regiões com maior densidade de fortificações do mundo.
Na espantosa viagem que nos aguarda começamos por nos embrenhar no significado da palavra Reconquista, um processo dinâmico e violento que durou entre 711 e 1492 onde os reinos cristãos ibéricos do norte da Península Ibérica combateram para recuperar o território conquistado pelos muçulmanos (al-Andalus). Este processo não foi uma guerra contínua, mas sim uma sucessão de avanços, recuos, tréguas e alianças complexas. Naquele cenário de instabilidade permanente, o castelo não era apenas um símbolo de poder feudal; era uma arma estratégica vital para a sobrevivência e expansão territorial. Veremos como essas fortalezas moldaram, e foram moldadas por esse longo conflito. Os castelos em Espanha não foram apenas residências reais. Eram, acima de tudo, máquinas de guerra. Dependendo de quem os construiu e quando, podemos dividi-los em três grandes influências:
a) os castelos de influência islâmica (Alcáçovas) construídos durante a presença muçulmana na Península Ibérica;
b) os castelos românicos e góticos (Reinos Cristãos), erigidos à medida que os reinos de Castela, Leão, Aragão, Navarra e Portugal avançavam para sul;
c) os castelos de estilo mudéjar, uma fusão única que só encontramos na Península Ibérica, onde construtores muçulmanos trabalhavam em territórios cristãos reconquistados.
Um dos elementos a observar nesta nossa viagem é o da evolução da arquitetura militar, particularmente no choque entre duas culturas tão diferentes: a muçulmana e a cristã. Nesse contexto os castelos na Espanha medieval refletem o constante intercâmbio e rivalidade entre o mundo cristão e o islâmico. Na Idade Média ibérica, a arquitetura não era uma questão de moda, mas sim a resposta material direta às mudanças de poder, demografia e tecnologia de guerra.
Comecemos pelas fortificações muçulmanas, as do Al-Andaluz. Conhecidas como Alcáçovas (Alcazabas) eram cidadelas fortificadas urbanas que albergavam o governador, as tropas e os serviços administrativos (ex: a Alcáçova de Málaga, a de Almería, ou a de Lisboa). Como técnicas de construção, os mouros introduziram o uso do tapial (taipa/terra batida altamente resistente) e do tijolo. E como elementos defensivos fundamentais as torres albarrãs eram muito populares (torres exteriores ligadas à muralha principal por uma ponte ou arco, permitindo flanquear o inimigo) a que se juntavam portas em cotovelo (entradas em ângulo reto para impedir que os arietes batessem diretamente nas portas).
Do lado cristão as fortificações inicialmente eram simples torres de vigia de madeira ou pedra no norte (Galiza, Astúrias e Pirenéus), mas os castelos cristãos evoluíram à medida que avançavam para o sul. Em muitos deles ainda se destacam as Torres de Menagem, o coração da fortaleza. Era a estrutura mais alta, residência do senhor e o último reduto de defesa. Com o avanço cristão muitos construtores muçulmanos que permaneceram em território conquistado (os moçárabes ou mudéjares) foram contratados para construir castelos para a nobreza cristã, fundindo o tijolo e a decoração geométrica árabe com a robustez dos castelos europeus, como o espetacular Castelo de Coca.
Ver castelos deve sempre ser feito em múltiplas perspetivas. Uma delas é observá-los enquanto peças-chave para uma estratégia (cristã) de colonização e de definição de fronteiras. Na Idade Média espanhola, ou portuguesa, conquistar um território não bastava. Era preciso povoá-lo e defendê-lo. E o castelo desempenhava três funções críticas:
1) definia Linhas de Fronteira Dinâmicas, pois à medida que a fronteira se deslocava para o sul, ao longo dos rios Douro, Tejo e Guadiana, redes de fortalezas foram erguidas para consolidar as posições alcançadas. A própria região de Castela recebeu este nome devido à imensa quantidade de castelos (castillos) construídos para se defenderem das incursões muçulmanas;
2) como Castelos de Repovoamento, posicionados atrás das linhas da frente, serviam de refúgio para os camponeses cristãos que eram atraídos para colonizar as terras perigosas da “terra de ninguém”. Em caso de ataque, a população e o gado recolhiam-se dentro das muralhas;
3) como “Fechaduras” que controlavam as rotas. Quem dominava o castelo controlava as pontes, os vales e as estradas romanas antigas, podendo cobrar portagens e sufocar a economia do inimigo.
A gestão desta fronteira fortificada exigiu guarnições permanentes e guerreiros de elite. Foi aqui que as Ordens Militares ganharam um poder imenso. Ordens como as de Santiago, Calatrava, Alcântara, Templários e Hospitalários receberam vastos territórios (os maestrazgos, mestrados) na Andaluzia, Castela, Aragão e Portugal. Em troca, assumiram a responsabilidade de manter e defender castelos colossais na linha da frente. Castelos como o de Calatrava la Nueva, ou o de Tomar, tornaram-se quartéis-generais monásticos e militares quase inexpugnáveis.
Com a tomada de Granada em 1492 e a unificação dos reinos sob os Reis Católicos (Isabel de Castela e Fernando de Aragão), a Reconquista terminou. A invenção e o aperfeiçoamento da artilharia com pólvora tornaram as altas e verticais fortalezas medievais vulneráveis aos canhões. Muitos castelos espanhóis foram abandonados, outros foram transformados em palácios residenciais pela nobreza e alguns serviram de prisões. No entanto, continuam hoje a erguer-se na paisagem espanhola como testemunhas silenciosas de uma época em que o destino de reinos e religiões se decidia palmo a palmo, atrás de muralhas de pedra. A Península Ibérica acompanhava a transição para a Idade Moderna (Renascimento) destacando-se a denominada “Revolução da Pólvora”. No final do século XV, a introdução da artilharia pirobalística mudou tudo. Os castelos medievais altos e esguios tornaram-se alvos fáceis. Nalguns que visitarmos podemos observar essa transição para fortificações diferentes, onde as torres se tornaram mais baixas, robustas e circulares, as muralhas ganharam uma espessura colossal e surgiram as primeiras troneiras, aberturas específicas para colocar os canhões.
Em síntese, o castelo peninsular evoluiu de uma estrutura comunitária e “estatal” de vigilância, no período islâmico, para um instrumento de colonização territorial, com as Ordens Militares como estrutura dinâmica e, finalmente, para um processo de domínio senhorial / régio e de transição tecnológica, nos finais do século XV.
Espanha é, sem dúvida, um dos centros mundiais dos castelos. Séculos de conflitos entre os reinos cristãos e muçulmanos (a Reconquista), além das disputas feudais e senhoriais internas, tornaram o território espanhol intensamente fortificado como poucos no mundo. Estima-se que existam mais de 10.000 castelos (ou ruínas deles) por todo o país.
Fotos: portais oficiais de Turismo
Castelos de Espanha
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por pessoa1º DIA – 2 DE SETEMBRO (4ª Feira) – LISBOA | BADAJOZ | TRUJILLO
2º DIA – 3 DE SETEMBRO (5ª Feira) – TRUJILLO | BELMONTE | TOLEDO
3º DIA – 4 DE SETEMBRO (6ª Feira) – TOLEDO | LA LASTRILLA | COCA | VALLADOLID
4º DIA – 5 DE SETEMBRO (Sábado) – VALLADOLID | PEÑAFIEL | MEDINA DEL CAMPO | SALAMANCA
5º DIA – 6 DE SETEMBRO (Domingo) – SALAMANCA | CIUDAD DE RODRIGO | LISBOA
José Varandas
Historiador
José Varandas é Doutor em História Medieval e professor associado do Departamento de História da Universidade de Lisboa. Diretor do Mestrado Interuniversitário de História Militar, desde 2013 e investigador do Centro de História da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
É académico correspondente da Academia Portuguesa da História e Membro Efetivo da Classe de História Marítima da Academia de Marinha, Membro Correspondente da Comissão Portuguesa de História Militar, bem como sócio da Sociedade Portuguesa de Estudos Medievais e Secretário-Geral da Associação Ibérica de História Militar.
Foi condecorado com a Medalha Militar da Cruz Naval de 1ª Classe, concedida em 30/06/2021 e imposta em 05/01/2023, e também condecorado pelo Exército Português, com a Medalha de D. Afonso Henriques – Mérito do Exército, 1ª Classe, em 02/04/2025. No seu currículo, entre os vários trabalhos desenvolvidos, destacam-se a tese de doutoramento “Bonus Rex ou Rex Inutilis: as Periferias e o Centro - Redes de Poder no Reinado de D. Sancho II (1223-1248)”, e os livros “D. Afonso Henriques e o Exército”, “D. Sancho II e o Exército” e “D. João I e o Exército”, entre muitas outras publicações.
É docente na Universidade de Lisboa desde 1990 onde tem ensinado História e Cultura Clássica (Roma Antiga), História Medieval de Portugal, História da Cultura Medieval, História Rural Medieval, História Militar da Antiguidade, História da Tecnologia Militar da Antiguidade, História Militar Medieval, História Marítima Antiga e Medieval, História das Ideias Políticas: Idade Média e Arte Românica e Gótica. São áreas de interesse / pesquisa científica: História Medieval, História Militar, História Rural, História Naval, História do Municipalismo, História das Instituições. É responsável pelos seminários de mestrado: História do Municipalismo; Sociedades guerreiras de “Reconquista”; Armas e Sociedades: Mundo Clássico, História Marítima (Antiga e Medieval), História da Tecnologia Militar, História Militar: teoria, métodos e fontes e Estudos de Arte Medieval (em co-tutoria).
Castelos de Espanha
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38.88405488087178, -6.968269901273102
Castelos de Espanha
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Preços por pessoaMínimo de 15 participantes
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Quarto Duplo1565€
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Suplemento quarto individual250€
O preço inclui
- Acompanhamento pelo Professor José Varandas durante toda a viagem;
- Acompanhamento por um responsável da Novas Fronteiras durante toda a viagem;
- Autocarro privado durante todo o percurso;
- 4 noites de alojamento em hotéis de 4*, com pequeno-almoço incluído;
- Refeições conforme mencionado no programa (5 almoços);
- Guias locais de expressão portuguesa ou espanhola;
- Todas as visitas e entradas mencionadas no programa;
- Rádio-guias;
- Taxas de municipais;
- Todos os impostos e taxas aplicáveis;
- Seguro Multiviagens.
O preço não inclui
- Bebidas às refeições;
- Gratificações;
- Tudo o que não esteja como incluído de forma expressa;
- Despesas de caráter particular designados como extras.
NOTA IMPORTANTE
A presente cotação está sujeita a reconfirmação mediante as disponibilidades de voo e hotéis à data da sua reserva. Os valores acima representados poderão sofrer eventuais alterações em caso de oscilações significativas cambiais e/ou de custos de combustível e/ou eventuais novas taxas, tendo em conta a atual conjuntura internacional.